Após pancadaria, incêndio e prisões, a Mocidade Alegre foi eleita a
campeã do Carnaval 2012 de São Paulo. A confirmação foi dada pelo
presidente da Liga Independente das Escolas de Samba, Paulo Sérgio
Ferreira, no final da noite desta terça-feira (21), após uma longa
reunião entre ele e os presidentes da SPTuris (São Paulo do Turismo) e
das escolas do grupo especial. Anteriormente, a organização do Carnaval
chegou a informar que o resultado não sairia nesta terça-feira. Em segundo lugar, ficou a Rosas de Ouro, seguida pela Vai-Vai, Mancha
Verde e Unidos de Vila Maria. Desceram para o grupo de acesso a Pérola
Negra e a Camisa Verde e Branco. Segundo Serginho, a classificação das
escolas foi feita a partir de uma média aritméticas das notas que tinham
sido divulgadas antes da suspensão da apuração, todas foram
arredondadas para cima. Ainda de acordo com o presidente da Liga, sete
escolas foram a favor da decisão e cinco votaram contra. Antes do resultado do grupo especial, as notas do grupo de acesso
foram divulgadas nesta noite e a Nenê de Vila Matilde foi eleita a
campeã, com nota 179,7. A Acadêmicos do Tatuapé ficou em segundo lugar,
com 179,3 pontos. O impasse sobre a campeã do Carnaval paulistano começou com uma
pancadaria que suspendeu a apuração dos votos do grupo especial. Um
integrante da Império da Casa Verde, de 29 anos, invadiu a mesa dos
jurados, roubou as notas das escolas, rasgou os papéis e tentou
fugir. Arquibancada e integrantes de outras escolas se rebelaram e
começaram a brigar, quebrar cadeiras e o alambrado que separava as mesas
diretoras das escolas do público. A Polícia Militar tentou conter a confusão, mas o número de policiais
no local era pequeno, se comparado com o de torcedores. Um grupo de
revoltosos chegou a invadir a pista local da marginal Tietê, sentido
Castello Branco, que precisou ser interditada. Troca de jurados Após o tumulto, dois suspeitos de terem iniciado a confusão foram
detidos. Além do integrante da Império da Casa Verde, um integrante da
Gaviões da Fiel, de 20 anos, também foi preso. De acordo com o delegado
Oswaldo Gonçalves do Deatur (delegacia que fica dentro do sambódromo), o
integrante da Império da Casa Verde disse que rasgou as notas em sinal
de protesto, pois a Liga Independente das Escolas de Samba de São
Paulo não cumpriu o acordo feito com as escolas, de que nenhuma delas
seria rebaixada para o grupo de acesso devido à troca de dois jurados
responsáveis pela apuração, ocorrida na quinta-feira (16). No momento em que a votação foi interrompida, estavam sendo
anunciadas as notas do quesito comissão de frente, o último da apuração.
A Mocidade Alegre era, então, a campeã do Carnaval paulistano, com 160
pontos. A Rosas de Ouro aparecia como vice-campeã (veja aqui as notas das escolas quando a apuração foi interrompida). Logo após o incidente, Solange Cruz Bechara, presidente da Mocidade
Alegre, afirmou não saber se existia uma cópia das notas dos jurados
(que foi rasgada) e afirmou que não considera sua escola a campeã do
Carnaval. - Não posso me pronunciar sobre uma coisa que não aconteceu. Ela falou ainda que entende, em parte, o que aconteceu. Eu entendo o lado de todo mundo porque o Carnaval é muito disputado e
ninguém quer descer para o grupo de acesso, mas a violência não leva a
nada. Mesmo sem considerar sua escola campeã, a Mocidade Alegre fez festa em sua quadra até tarde.
A comemoração só foi encerrada por volta das 21h30, quando a
organização do evento informou que a reunião entre os presidentes das
escolas não tinha previsão para terminar.
- Eles são um bando de baderneiros. Receberam milhões do Lula e do
governo federal e não tiveram capacidade de fazer um desfile como o
nosso. Por causa disso, vieram botar fogo no nosso sonho. Isso não se
faz.
A reportagem do R7 tentou entrar em contato com a direção da Gaviões da Fiel, mas até a publicação desta notícia não conseguiu retorno.
A troca de jurados, aliás, causou confusão mesmo antes do início da
apuração. O anúncio das notas começou com atraso porque representantes
da Liga se reuniram com presidentes da algumas escolas que não
concordaram com a alteração e criticaram a forma como a Liga conduziu a
mudança, sem comunicar formalmente as escolas.
Fonte: r7