Uma experiência que poderá ser, a médio prazo, de
grande importância econômica para o Sudoeste está em fase inicial na
Linha Menino Jesus, a 3 km da Sadia, em Francisco Beltrão. Trata-se da
criação de ovelhas da raça francesa Lacaune para obtenção de leite e
queijo. O plantel de 132 ovelhas, 55 em lactação, veio de um criador em
Anchieta, SC, e foi colocado num cercado de tela de 100 metros por 30 m,
chão batido, em que há dois galpões pata abrigo e manejo. Sob a
supervisão do veterinário Francisco Gaieviski, cuidam do plantel seo
Claimar e seu filho Guilherme. O Pai da Cabanha,como dizem no Rio
Grande do Sul para o reprodutor, recebeu o nome de seu antigo dono,em
Anchieta, "Kleber". Além da monta tradicional, faz-se inseminação
artificial. O médico-veterinário e empresário rural Francisco
Gaieviski, formado pela PUC- campus avançado de Uruguaiana, RS,
acreditou na rusticidade, longevidade e produtividade da raça Lacaune,
que os franceses vêm estudando desde 1902 e só em 1942 passou a ter
seu Flock-book. A Lacaune vem de três raças Casuarès, Larzac e
Lauragarse do Maciço Central Francês. Segundo Gaieveski, essa raça é
rústica, longeva, dando até sete criadas (uma por ano) e de excelente
produtividade, podendo chegar de 1,5 a 2 litros de leite dia, que se
transformado em queijo tipo Pecorino, como já está sendo feito pela
Vêneto (Marmeleiro) e chega a render, nos grandes centros, mais de R$
100,00 por quilo, o que torna um plantel de 50 ovelhas produtivas um
excelente negócio. Além da produtividade de leite, há o aproveitamento
da carne do macho, o descarte anual ou semestral. São necessários cinco
litros de leite de ovelha para um l kg de queijo pecorino. O litro do
leite de ovelha vale quatro vezes o de vaca. Manejo Um dos problemas da ovinocultura com pastagem aberta
(não confinamento) é a verminose, que pode trazer imensos prejuízos. No
sistema de cercado com chão batido e confinamento total (silagem de
milho, por exemplo), reduz-se bastante a verminose. Há que se ter
cuidados especiais para que a cama de estrume não se acumule. O sistema
de piso-ripado é uma das soluções. O manejo de plantel é muito simples: Colocada a silagem
no cocho, verificado o rebanho para ver se não há nenhum animal ferido,
doente etc, abastecidos os bebedouros e feita a ordenha em época de
lactação, cuidar das crias, o resto do dia o rebanho passa sem dar
trabalho. Numa área de 100 metros por 30 ficam 150 cabeças sem nenhum
problema. A ordenha mecânica pode ser feita com o mesmo equipamento usado para a ordenha de bovinos, só trocando as teteiras. Luz e Cio Como a Lacaune é uma ovelha europeia, seu ciclo de cio é
regulado por menor intensidade de luz, daí sua entrada em cio ser
inferior a ovelhas cuja origem sejam os Trópicos, como a Santa Inês, que
pode produzir três crias a cada dois anos. No caso da Lacaune, o "Foto
Período" que regula o cio terá que ser induzido ou pela luz artificial
ou pelo "efeito macho" - colocação do macho próximo ao abrigo das
ovelhas ou incremento hormonal (que dá maior resultado). O entusiasmo do veterinário Chico Gaieviski é visível.
Sua verdadeira paixão pela Lacaune levou-me a falar por telefone com
renomados especialistas em ovinocultura como Otávio Rossi, da Embrapa
Caprinos e Ovinos (em Sobral), que, além de pesquisador, cria ovelhas
de leite em seu sítio de Jaboticatubas, Minas Gerais, Jefferson
Ferreira da Fonseca, do Núcleo de Caprinos e Ovinos da Embrapa (ligado a
Sobral) em Coronel Pacheco, Minas Gerais e Maria Isabel Carneiro
Ferreira, também da Embrapa, em Coronel Pacheco, MG, que fez seu
doutorado em ovinos na Universidade da Sardenha. Todos demonstraram
otimismo em relação ao crescimento da produção de leite de ovelha e da
utilização do leite para a produção de queijo e sobre a produção
científica ligada ao setor. A Embrapa Caprinos e Ovinos (Sobral-Ceará) e
seu Núcleo, em Coronel Pacheco (Minas Gerais) está empenhada em ajudar
com pesquisa e experimentação o desenvolvimento desse segmento
produtivo. Agora mesmo acabou de publicar um livro em que há estudos
sobre Ovinocultura de Leite . No Estado Rio, por exemplo, o Sítio Solidão, no
interior de Miguel Pereira, produz com leite de ovelha Lacaune um tipo
de queijo que lembra o sabor do queijo da Serra da Estrela, em Portugal.
A demanda dessa queijo é enorme. Os estudiosos da Ovinocultura de Leite acham que a
luta, agora, é ampliar a produtividade e chegar a 3 crias em dois
anos, o que implicará em pesquisa, treinamento de pessoal e manejo
adequado. Uma visita à cabanha do Gaieviski, no Menino Jesus, por certo
entusiasmará o pequeno produtor rural sudoestino (e o grande também !) a
formar um plantel de Lacaune de leite. Uma conversa técnica com o
veterinário e professor Chico Gaieviski, diretor do Centergen, será
decisiva para entusiasmar o nosso agricultor pela ovinocultura de
leite. A criação de ovinos de leite na fazendinha do Centergen, no Menino
Jesus, pelo visto, é uma prova cabal da viabilidade desse investimento.
Informações pelo Fax (46) 3527-3788. (Jorge Baleeiro de Lacerda).
Fonte: Jornal de beltrão